"A pintura constrói-se a partir de fragmentos e coisas que não necessariamente aparecem com consonância ou, eventualmente, imbuída de objetivos previamente estabelecidos. É um processo de negociação entre gestos e sentidos, um campo de dissonâncias que representa, no fim do processo, mais perguntas do que afirmações. A pintura acaba ganhando uma fatura que constrói uma memória imagética dela mesma, uma materialidade que se inscreve no suporte como um todo. Os gestos muitas vezes são borrados, rasurados ou reafirmados, atravessados e escondidos, fazendo emergir uma corporeidade própria. Ou seja, a pintura não deixa de ser, para mim, um corpo por excelência." Fraus