Para não falar em improviso, a pesquisa artística de Janina McQuoid envolve fazer um gato. Ao experimentar livremente com os materiais moles e suas sobras, com pedaços de coisas que já existem e carregam algumas formas, suas obras retém memórias e sensações que aguçam nosso instinto curioso de traçar desenhos e histórias apenas com a percepção. Num balanço entre o familiar e o inquietante, cada peça encobre fantasias irônicas e bem-humoradas, que revelam atenção e abstração do olhar. Os objetos, os temas e seres que estimulam seu apetite artístico carregam sempre consigo algum tipo de recordação, e as consequentes deformações da memória, não como analogia formal simples, mas por sentimentos espontâneos.


Suas escolhas figurativas, irônicas ou bem-humoradas, estão associadas ao rabisco livre, não porque são imagens em estágio de esboço, mas porque podem se referir também ao que foi reduzido e desgastado pelo tempo. Janina inventa métodos improváveis para estruturar seus trabalhos, acomodando as possibilidades cromáticas e de textura que surgem ao misturar escultura, objeto, pintura e desenho na mesma composição artística. Com a liberdade que só os trecos podem ter.